Calmaí, o que é que eu estou fazendo?-
Esquecido, o coveiro - não entendo.
Isto aqui não é como se enterrar na areia,
Como formar e contornar em si uma sereia.
Isto daqui é casamento, fechou negócio, selou.
Não quero ninguém aqui, de preto, cantando soul,
Ou blues, sei lá, - esqueceu - canção de morte, de luto.
Será que eu devo enterrar algo ainda tão enxuto?
Pelo menos assim, quando voltar, lhe entrego tudo,
Nada acrescido, mas também nada perdido, eu estudo:
Ganhar é bem-vindo, mas perdendo, o que será de mim?
Acho pior arriscar perder, do que ser assim, servo chinfrim.
Por outro lado, o talento vive em mim, em minha carne.
Seria como pedir para a pistola que se desarme.
Para se desarmar, teria que se desintegrar,
E isso eu com certeza não quero - diz ele ao luar.
Quer saber? Sendo carne o meu talento,
Não vou enterrá-lo ou entregá-lo ao vento,
Pois a carne só se destrói debaixo do pó da terra,
Não germina, não se protege, só se encerra. -
E se junta a ele.
Vou deixar de ser esquecido e vou me lembrar:
De minha aparência no espelho e de meu olhar.
Vou ouvir os ensinamentos, e de coração obedecer
Até poder ver Senhor, um dia, num clarão, você descer.
E neste momento, o meu talento, eu tento transparecer.
Dando um pensamento, uma alegoria e o meu parecer.
Possa eu conhecer os netos e descendentes de meu talento,
Me encontrando com Teu amor, como numa onda me rebento.
By The Lightning Knight



