Quarta-feira, Julho 01, 2009

Nudez

(Foto por Mariana Hossein)

Há um certo tempo que eu tenho pensado mais a fundo nisso e tentado me abster de cair no erro de misturar com adultério mental. O assunto abrange várias facetas distintas, que porém não serão integralmente tratadas aqui, mas não me pareceu mal usá-lo como título. Essa é uma discussão sóbria, de quem já esteve sob a ditadura da Lei, mas passou para a liberdade do outro lado do muro. Hoje não me sinto nem um pouco capacitado ou inspirado, portanto, vou ter que me usar, mais uma vez, de sinceridade, única coisa que me sobra nesses momentos, posto que é tatuagem, nunca me desfaço dela.
Nudez é algo muito simbólico, muito além do que os olhos são permitidos ver, pela carne. Mas quem se deixa ver o mundo pelo espírito, o vê logo, pois é muito lógico e profundo. Não quero trabalhar com idealizações exacerbadas para tentar justificar meu título. Mesmo porque, não preciso fazê-lo.
Quando era pequeno, nudez era algo normal, eu era banhado, sem problema, tiravam fotos deu numa banheira para envergonhar-me no futuro em albuns de família, ora, tudo muito normal. Na infância, era algo abominável, e a partir daí se tornou, realmente, motivo de repreensão e disciplina, mesmo que esta não viesse de ninguém outro, mas de mim mesmo e de minha consciência.
A nudez, como outras partes fenomenais da vida, tem seu tempo, seu lugar, seu modo e intenção certos. E sim, ainda estou sóbrio, e não, não comecei a idealizar nada. Assim como a chuva, que chovendo fora de época ou em demasia, prejudica os frutos da terra, assim também a nudez, fora de época, ou fora de contexto, ou em demasia, torna turva a visão de quem é afetado por ela. Ela tem certo sabor de exclusividade, de acesso à intimidade, de confiança. E nem preciso mencionar que esse sabor hoje em dia está bem fora do ideal. Todo produto alimentício, conforme a alegoria que estou usando, quando começa a ser consumido em grande quantidade, perde a qualidade, pois não vale a pena, para quem o produz, manter a qualidade. Ou se perde a qualidade, ou nunca avançará no mercado. E daí os inúmeros produtos artificiais, industrializados, que lembram o verdadeiro, mas em nada se comparam à autenticidade do verdadeiro.
A mesma coisa ocorre com a nudez. Ela é muito valiosa e serve muito bem seu propósito de aumentar a intimidade, a confiança, a exclusividade, dentro do matrimônio, quando usada de forma apropriada. Contudo, quando usada fora de contexto, fora de hora e sem moderação, perde todo o sabor original, perde a autenticidade, e se torna algo tão banal quanto qualquer outro produto industrializado que se possa querer adquirir.
Eu sou adepto, em espírito, da cultura do homem que busca sua mulher, e uma vez tendo-a encontrada, se deleita nela, e não só sexualmente, e não só temporariamente, senão até a morte. Já minha carne, é adepta da orgia geral e ilimitada, ignorando as ordenanças e conselhos de Deus acerca dessa imoralidade. E toda vez que sou tolo de escutar minha carne, me encontro vazio.
O matrimônio é um compromisso selado, assinado em baixo por Deus, de validade permanente, imutável, onde um homem se une a uma mulher, em espírito, em carne, em amor, em mente. Ora, se dois se tornam um, quer dizer que cada um é metade. Sendo cada um metade, como pode haver uma terceira pessoa no relacionamento? Isso não é de Deus, queridos. Dois completam uma unidade, onde não há espaço para nenhuma outra pessoa, seja simplesmente um(a) amigo(a) que passa mais tempo com a pessoa que o próprio cônjuge dela, ou seja então amante escondida, ou namorada(o) declarada(o) de algum dos dois, ou dos dois juntos, pior ainda. É incrível como torcemos os conceitos, como somos desenfreados e ilógicos em nossa concupiscência, a ponto de existir isso. E eu ia terminar a frase com "hoje em dia", mas não é só hoje em dia. Orgia vem lá de trás, já. Não duvido que estivesse presente no meio do povo de Deus enquanto Moisés recebia a Lei de Deus no monte.
O matrimônio é um compromisso selado. O namoro já não. O namoro trata o compromisso como objeto de estudo. "Vamos ver se dá certo, se há identificação, e se sair tudo dentro do esperado, que haja casamento"! E é isso mesmo que o namoro deve ser, uma avaliação mútua de sentimentos e identificação com o outro. Ué, sendo a nudez parte do processo de selar o compromisso permanente, eterno, onde cabe isso dentro de um namoro? Nudez é algo devido quando já está assinado o documento de matrimônio, já estão trocados votos de fidelidade eterna, ou seja, depois de fechado o negócio, se sela com a união física. Namoro não tem nada disso, nem deve ter nudez. Namoro é tão frágil, que qualquer vento já pode mudar o coração. E isso acontece, oras, não condeno. Por isso que nudez não pertence ao namoro, de forma alguma. Às vezes, não precisa nem ser nudez completa, no caso de relação sexual. Eu penso que o simples fato de alguém constantemente viajar com namorado(a) para a praia, onde existe uma nudez parcial, já é perigoso.
É muito importante saber diferenciar o namoro do casamento. O que se vê em filmes de comédia romântica, que os namorados moram juntos e desfrutam de vida de casados sem compromisso, é piada. Eu gosto muito de romances e comédias românticas, mas me dói ver isso cada vez mais presente, como se fosse natural. E aí, se o casal cansou de viver vida de casado(que na verdade, eles não experimentam verdadeiramente, pois pularam vários passos), separa. Se acha que dá para levar desse jeito, casa, só para "formalizar" o relacionamento. Isso não existe. Só num mundo distorcido, ébrio, que, infelizmente, é o caso do nosso.
Deus criou tudo certinho, tudo lógico, perfeito, e aos poucos, o homem, sem paciência para tentar entender como funciona, de tão perfeito, complexo que é para ele, resolve mudar um pouco as coisas, para tornar mais banal, mais simplório ao ponto de nem mesmo ter que se pensar se aquilo funciona ou não. Repito o que disse em "Amor": o homem não é descendente e nem é o próprio animal, mas com certeza não hesita em dar essa impressão, obedecendo sem questionar seus impulsos ilógicos, hormonais, para se satisfazer por um mísero segundo. E mesmo assim, sua satisfação neste mísero segundo nunca é plena, por isso nunca mata sua sede. Pois procura na fonte errada. Oras, que graça tem a nudez depois de casado, quando a praticaste a vida inteira já? Muito pouca. É a mesma coisa que inaugurar uma construção muito antes de terminar, seja por impaciência, ou por falta de recurso para terminá-la. Biblicamente, todo mundo riria de ti, mas o mundo é tão patético, que ninguém tem mais coragem de rir do outro. Nudez é uma edificação a ser planejada, investida, trabalhada, aguardada, e na hora certa inaugurada. Aí sim tem graça. Aí sim surpreende e pode ser muito mais do que você um dia imaginou que seria.
Nudez, olhada da forma correta, usada no tempo e do modo certo, é a certeza que o cônjuge tem de que ele é exclusivo. A certeza de que nenhuma outra pessoa conhece seu cônjuge no mesmo nível de intimidade que ele. No máximo, os pais, que criaram, e como eu disse, banharam, trocaram fraldas, etc. Mas, na forma adulta, na forma fértil, ninguém deve conhecer uma pessoa neste nível, senão seu cônjuge. A nudez dentro do casamento também significa uma destituição de toda aparência, de toda possível hipocrisia, mostrando que entre eles não há vergonha, entre eles há plena transparência, tanto física, quanto para poder discutir qualquer tema que for, podendo confiar um no outro. É como declarar um para o outro: contigo não tenho segredos, tu és o(a) único(a) que me conhece neste nível, e sou teu(tua) e és meu(minha). Isso que é exclusividade(por isso acho interessante a ideia do tango, por exemplo, do contato, da intimidade, mas pretendo isso só quando for casado). E é claro que o ser humano não entende, não sabe disso, ou se sabe, ignora descaradamente, e que seja desgraçado todo aquele que ignora, a não ser que reconheça, se arrependa e mude. Isso é assunto sério. Que te importa saber como a mulher alheia é quando nua? Não te cabe saber isso, assim como não cabe a nenhum outro homem saber como tua esposa é quando nua. Se para ti é banal, que Deus tenha misericórdia de ti.
É visível a rebeldia e tolice da sociedade moderna, onde nudez está presente não só nos namoros, que, baseados nisso, vem e vão como coelhos criados para abate. A nudez está presente também na mídia, parte de uma "arte" que o hedonismo adicionou à arte verdadeira. Me diga, que honra, que exclusividade tem alguém cujo cônjuge aparece nu ou nua para o mundo inteiro ver? Eu digo sem medo de errar, que quem tem intimidade com todo mundo, não a tem com ninguém. Pois intimidade, nudez, é o mesmo que exclusividade, e exclusivo é reservado, guardado, para um nicho muito específico, no caso da nudez, somente para o cônjuge.
Então, assististe aquele filme, aquela série, e "não pôdes deixar de ver a cena de nudez". Bom, primeiro, seja sóbrio da próxima vez, não te deixa levar. Se for possível, olha pro lado durante a cena. Parece besteira, mas eu tenho certeza de que no campo espiritual, tu te tornas alguém mais digno e mais resistente do que quem assiste à cena hipnotizado. Segundo, se viste a cena, se tomaste esta picada venenosa da víbora enganadora, corra para Deus, que ele suga o veneno de ti e cospe fora, para que o pecado não floresça, e uma vez consumado, se torne em morte, como diz a Bíblia. Corra para Deus, tira um tempo esclarecido, em plena consciência, deixa o frenesi do momento da picada, recorra a ele e ele te livrará, e por resistir ao inimigo, ele fugirá de ti. Isso é coisa séria. E se não consegues te controlar, bom, começa por assistir só filmes com classificação indicativa Livre, e seja tu livre deste veneno também.
Agora, vens e me dizes "e quando se vai no médico e precisa ficar nu"? Realmente, se esta é tua pergunta, teu contra-argumento, não entendes nada do que estou falando. Recomeça a leitura, por gentileza. Medicina lida com nudez, claro, mas só é profissional aquele que lida de forma neutra, de forma a curar o corpo, que é sem dúvida, seu trabalho. Se teu médico não é profissional a este ponto, muda de médico, oras. E tenta ser como um médico ideal quando vês cenas de nudez, como eu disse logo acima: neutro, imutável pela circunstância, sólido.
O mundo busca por nudez. Nos relacionamentos, com o chamado "sexo casual", sem compromisso, teoricamente sem afetar nenhum dos participantes, pois já estão tão amortecidos em ferirem e serem feridos, que nem sentem mais nada, nem o próprio prazer que tanto buscam, por isso que nunca se satisfazem. Na arte, se busca nudez, pois a vêem como "ousadia, beleza, imersão de corpo e alma". Se eu pudesse, eu daria um tapa na cara de cada pessoa que pensa assim e diria "acorda!". Isso só banaliza, menospreza, viola a verdadeira beleza da nudez, que é a exclusividade. E nunca se satisfazem, e nunca é bom, e continuam pensando que talvez um ângulo diferente da nudez seja mais eficaz. Bom, não é. Mas eu sei o que é muito eficaz.
Ao invés de buscar a nudez, e se decepcionar, e mudar de namorado, de parceiro sexual, de site de pornografia, de marido, de esposa, tentando achar algo que te satisfaça, deixe de buscar nudez com os olhos, com o corpo, com a mente, busque primeiro o Reino dos céus, o Reino de Deus, e a justiça praticada nesse Reino, praticada por quem pertence a ele, busque ser consciente, alguém prudente, marido de uma mulher só, com seus olhos voltados para a nudez dela e só dela, e eu te garanto que todas as outras coisas te serão acrescentadas, pois Deus é fiel. Ele quer nos dar tudo. Mas de que adianta dar cinco talentos a quem nem agüenta administrar um? A quem tem medo e esconde esse um?
Mas a quem é prudente com o que Ele lhe presenteia, Deus de bom grado abençoa, e dá os talentos inclusive daqueles que esconderam seus talentos, e acabaram por perdê-los. É isso que tento fazer. Buscar o Reino de Deus e a sua justiça, e na hora certa, da forma certa, Deus vai acrescentar na minha vida a nudez, dentro do contexto de matrimônio, para que eu possa me deleitar, sem vergonha, sem receio, com prazer muito mais de espírito do que carnal, por estar dentro da vontade de Deus, e lhe ser fiel. Mantenho meus olhos fitos no prêmio da vida eterna, e essas coisas secundárias, como a nudez, no caso, me serão acrescentadas, e me satisfarei muito mais do que qualquer amigo ou amiga que tenha experimentado fora de época deste fruto, pois experimentarei um fruto maduro, pronto para colher, posto que eles, um fruto amargo, decepcionante, despreparado. Fomos feitos para amar um único cônjuge, no nível de exclusividade, de acesso, de intimidade do matrimônio, e como não acredito em alma gêmea, agradeço a Deus, pois ele me dá o poder de decidir quem esta única mulher será.
Não andemos ansiosos por cousa alguma, mas antes, em clamor e intercessão, apresentemos tudo perante Deus. Se tua vida está certa, dentro da vontade de Deus, não tem porque não agüentares esperar, pois não estarás buscando nudez, mas sim a justiça do Reino dos céus. Se não aguentas esperar, podes ter certeza de que há coisas a serem trabalhadas antes, onde por enquanto só há vazio, que tentas preencher com o contato físico.
Sê consciente, peça força a Deus, seja respeitoso, sê longânimo. Vá com calma. O amor tudo suporta. Tudo tem seu tempo.
Fiquem na paz.
The Lightning Knight


Post Scriptum: E ser sincero, mesmo com um assunto polêmico, acalenta o coração, faz bem a ele; afirmar verdades em teu coração que te fazem ser fortalecido; isso também é poesia. Espero que consigas sentir isso.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Morango


Poesia baseada no antepenúltimo parágrafo do texto Amor deste blog.

Morango
Parte I

Morango é como beijo de moça.
Brevemente carnoso, mas macio.
Corado como se fosse uma bolsa
Cheia de amor, como ligeiro fio,
Sentido em sua contida doçura.

O primeiro contato é frio, vazio,
Como um exemplar de fina louça.
Tem gosto da água que o cobriu.
E então, sem barulho que se ouça,
Como um quadro numa moldura,

Se acomoda ao lábio, sendo gentil.
A gentileza logo traz a confiança,
Que expressa como nunca se viu,
Amor, forte como cordas em trança.

Se dou atenção ao sabor e aprecio,
Outro não se faz necessário logo
(Pois a memória nutre a saudade),
Mas é claro que é bem-vindo.

Morango
Parte II

Nesta terra não há morangos,
E doçura já se tornou lenda.
Não há charme, não há tangos,
Música aqui, só como remenda:

Para tapar buracos nas rendas
Da pele de homens sofridos,
Onde só se encontra fendas,
Onde corações haviam vivido.

Pois sem essa remenda(a música),
Estravazaria todo real ressentimento
E dor, que vivem nesta morada rústica.
Sinceramente, pouca coisa invento.

Essa música, alívio de quem ainda ouve,
Não passa dum melancólico piano,
Falando de dor e não do que houve,
Querendo esquecer todo esse ano.

Alguns investem em criação de viúvas,
Se casando e dando-se em casamento.
E não voltando da guerra, deixam turvas
As visões de suas esposas sem alento.

E outros, como Paulo, preferem não.
Acham que isso tirará a atenção;
Que precisam se focar na missão,
Para que possam preservar-se sãos.

Se enxergasse a guerra, pelo menos,
Valorizaria mais a Espada do Espírito.
Tenho a paz de dias falsamente amenos,
Pois não vejo a guerra e então, me irrito.

Nesta terra não há morangos.
Quem me dera houvesse.
Mas há tempo para tudo, eu sei.
Prefiro esperar o meu.

By The Lightning Knight